Jay Santos apresenta uma poesia visceral e inquieta, marcada por um forte senso de urgência e crítica social. Sua poesia tem um ritmo quase cinematográfico, com imagens fortes que permanecem na mente, evocando tanto beleza quanto desconforto.
Fumaça
Essas nuvens brancas
essas nuvens que vão subindo
levam nelas meus pensamentos
gritos surdos e lamentos
Tão calmos como a beira de um rio
como agora eu aparento
mas a qualquer momento
pode surgir um Eu sombrio
Abaixo o rosto e olho para ele
esse laranja, brilhante amigo
que dividiu comigo
tristezas e diversão
Agora queima e ilumina
minha mente tão fria
e tão cheia de solidão
Entre meus dedos escorrem cinzas
minhas lembranças e poesias
que talvez nunca encontrem chão
R E M I N I S C Ê N C I A S
Olhos ardem
da fumaça,
da raiva,
do choro.
O que antes acalentava,
agora entristece.
O calor que contagiava,
agora maltrata, adoece.
Acabou-se a alegria
do banho de rio ao domingo.
sobra pesar, agonia,
de um passado quase esquecido.
A Amazônia o fogo hoje consome.
Sobre o homem, mostra a verdade,
que ele esquece onde se come,
trocando tudo por uns quilates.
(Poema escrito durante o período das fumaças no Amazonas)
Sobre o Autor
Jay Santos formou-se em Letras pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em 2016. Possui especialização em Língua e Literatura Inglesa. Entre suas paixões, destacam-se a leitura e o desenho. Fã de filmes de terror, distopia e viagem no tempo, decidiu compartilhar um pouco do que sua mente inquieta cria, colocando no papel seu “jayverso” caótico.

