Algumas pessoas gostam de pular o carnaval. Outras aproveitam o feriadão para descansar ou passear. Ou até para retiros espirituais. Outras gostam de pular o carnaval, mas estão impossibilitados pelo simples fato de estarem temporariamente doentes.
Meu saudoso tio Padre Moisés Lindoso nos ensinava que Jesus não nos quer enfermos. Nem triste ou deprimido. Jesus também não nos culpa de nossas doenças, nossos defeitos ou nossas limitações. Não somos culpados e nem tampouco nossos pais. Então, se você está impossibilitado de pular e goste muito de carnaval, se conforme. Não se lamente. Não é bom nem saudável reclamar.
Você pode curtir o desfile das escolas de samba. Maratonar uma boa série ou ler bons livros. Afinal o Carnaval não foi feito só para pular. Já tive que explicar para um falante de Inglês o significado de “pular” o Carnaval. Em português pular significa saltar, andar depressa e aos pulos. Além do significado de transpor. E como parte de várias expressões idiomáticas
O fato é que dançamos o carnaval. Há até os que literalmente pulam. Mas o samba é dançado, o axé também. Talvez no frevo haja mais pulos. Mas dizemos que dançamos frevo, jamais pulamos frevo!
Agora, vai explicar isso para os gringos! Pular em Inglês é “jump”. E o vocábulo restringe-se a saltar. Já para os brasileiros “jump” é uma atividade aeróbica muito em voga nas academias de ginástica. Então definitivamente não dá para traduzir literalmente, pular o carnaval, para “jump the carnival”. Costumo traduzir como “celebrate the carnival”
Não se pode falar de carnaval sem mencionar a Chegada da Kamélia. Lá nos anos de 1960, eu menino de calças curtas, ia para o Aeroporto de Ponta Pelada para ver a Kamélia chegar diretamente de Salvador. E claro, receber a chave da cidade da mão do prefeito. Aquilo era um acontecimento.
Nos dias de hoje, as diversas bandas que animam a cidade resgatam o carnaval de rua. É o mais democrático, legítimo e divertido. Mas muitos sentem falta dos bailes do Rio Negro e do Ideal Club. Os tempos mudam. Outras coisas boas acontecem. Há varias opções boas além da alegria esfuziante de pular o Carnaval. Aos brasileiros será dado a opção de comemorar a premiação do Oscar. Torcer pelo filme de Walter Salles, Ainda estou aqui. Com a formidável Fernanda Torres, a insuperável Fernanda Montenegro e o talentoso Selton Mello.
Mas para muitos a grande dúvida ainda é pular ou não o Carnaval.

autor:
Pedro Lucas Lindoso, nascido em Manaus em 1957, é advogado, escritor e intelectual amazonense. Formado em Direito e Licenciatura em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), é fluente em inglês, francês e italiano. Atuou como advogado do Banco Nacional de Crédito Cooperativo S/A (BNCC) e, em 1990, foi nomeado Diretor de Assuntos da Cidadania do Ministério da Justiça. Também exerceu o cargo de Procurador-Geral da EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo.
Aprovado em concurso público, integrou o corpo jurídico da Petrobras, onde se aposentou como advogado master. É membro efetivo e ativo de importantes instituições culturais e acadêmicas do Amazonas, entre elas: o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), a Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM), a Academia de Letras Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), a Academia Amazonense Maçônica de Letras, a Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas (ACLJA), além da ABEPPA e da ALCAMA.
Como autor, possui diversas obras publicadas em diferentes gêneros. Entre elas:
•O Princípio da Informação Ambiental e a Segurança da Informação Empresarial (Paco Editorial);
•Oremos pela Guerra – Manaus de Chopin e Mussolini (Romance, All Print);
•Literatura infantil: O boto cor-de-rosa e o jacaré do rabo cotó, Aconteceu em Cucuí, A vista dos botos vermelhos às Anavilhanas (Editora Sejamos Luz);
•Uma amazonense em Copacabana (All Print);
•Crônicas da Pandemia (Palavra da Terra).
Atua como cronista semanal do Jornal do Commercio, em Manaus, onde mantém uma escrita marcada pela sensibilidade, pelo olhar amazônico e pelo compromisso com a cultura regional.
