Felipe reflete uma busca constante por pertencimento e significado, seja através da conexão com o espaço físico ou da reflexão metalinguística sobre o próprio ato de escrever. o poeta constrói uma relação quase sagrada com o espaço urbano e natural da cidade, personificando-a como uma mãe protetora e ancestral.
Cidade Manáos
Mãe que esse rio balança,
Da água triste, cor de fundo.
Nos pega a mão e guia a andança,
Atrás de algo mais profundo.
No barro que a arraia dança;
No peito forte do arenito fecundo.
Ar de mãe que embala e canta,
Eu, filho no mais feliz segundo.
Nos seus braços, a esperança.
Corpo esbelto tão seguro.
No óleo que banha e descansa.
Mãe dos Deuses,
Mãe do Mundo.
Revelação
Revelam que ser poeta
É estar pelas beiradas,
Caminhar sem haver seta,
Montar, desmontar estradas
E divergem a correta
Montagem de uma versada.
Sempre confuso contesta:
Verso é alma mascarada?
E no diagnóstico atesta,
E no soluço se engasga.
Se apega, vaga e protesta!
Corpo amado que entrelaça.
Desenrola e desconserta.
Afunda, balança e enxágua.
Escolhe a dedo a promessa,
Deixando a folha inundada
E nessa pedra conserta,
Que lapida e o verso arrasta.
Afinal só poeta disserta
Entre o silêncio e a Palavra.
Sobre o Autor
Felipe Esdras Assis Sá é poeta e comerciante. Escreve desde os 14 anos e teve seu poema “Compromisso com o Descaso” publicado pela Editora Vivara em 2017. Estudou Letras – Língua Portuguesa na Universidade Federal do Amazonas e atualmente cursa Ciências Econômicas na Universidade do Estado do Amazonas. Sua poesia transita entre reflexões existenciais e a conexão com o espaço urbano e natural da Amazônia.

